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Aprendizagem baseada em desafios

Aprendizagem Baseada em Desafios é uma abordagem pedagógica vivencial! Ou seja, ela coloca o estudante no centro do processo de ensino e aprendizagem através de uma situação problemática real, relevante e associada ao contexto de vida dele. Isso  implica, basicamente, na definição de um desafio e no desenvolvimento de uma solução.

Um desafio é uma atividade, tarefa ou situação que implica uma solução por parte de uma pessoa ou grupo.

Neste sentido, a aprendizagem vivencial oferece oportunidades aos estudantes de aplicar o que eles aprendem em situações reais. Descobrindo por conta própria e por meio de interações com os colegas, soluções para os problemas aos que foram expostos (MOORE, 2013).

Educação baseada em problemas VS. Educação baseada em projetos VS. Educação baseada em desafios

Com tantos termos de metodologias ativas surgindo e sendo revistados é importante analisar criticamente quais são as nuances, tecnicismos e modismos incorporados neles. Nesse sentido, a aprendizagem baseada em desafios inicialmente possui muitas características comuns com a aprendizagem baseada em projetos. Ambas as abordagens envolvem os estudantes em problemas do mundo real e os colocam como sujeitos ativos no desenvolvimento de conhecimentos e habilidades necessárias para solucioná-los.

Entretanto, grosso modo, elas se diferenciam pelo fato de que ao invés de apresentar um projeto com escopo e problema definido, a aprendizagem baseada em desafios oferece problemáticas abertas e amplas sobre as quais os estudantes determinarão o desafio que abordarão (GASKINS, JOHNSON, MALTBIE e KUKRETI, 2015).

Contudo, essa descrição parece-se muito com a abordagem de aprendizagem baseada em problemas, não é certo? Ambas utilizam um processo de ensino e aprendizagem colaborativo baseado em problemas reais de um determinado contexto. Larmer (2015) nos explica que apesar das similaridades existem uma diferença fundamental e peculiar que as distinguem. Isto é, a aprendizagem baseada em problemas às vezes utiliza cenários de casos fictícios. Pois, o seu objetivo não é resolver o problema em si, mas desenvolver no estudante as competências elencadas. Dessa forma o produto final pode ser tangível (material) ou uma proposta teórica de solução para o problema.

Já na aprendizagem baseada em desafios, Larmer (2015) justifica que os estudantes precisam criar uma solução que resulte em uma solução concreta. Ou seja, eles devem analisar, planejar, desenvolver e executar a melhor solução eleita pelo grupo para abordar o desafio. De modo que eles próprios e outras pessoas possam vê-lo e medi-lo.

Educação no século XXI

No mundo atual, uma parte significativa dos estudantes que vivem em centros urbanos, acessam informações de forma substancialmente diferente de alguns anos atrás. Eles estão conectados a grandes repositórios que lhes permitem desenvolver conhecimento através de uma aprendizagem informal. Além disso, uma parcela desse público deixou de ser mero consumidor de informação para se tornar produtores dela e até de adquirir status de influenciadores.

Como resultado, dentro desse recorde da realidade, alguns dos métodos tradicionais de ensino e aprendizagem tornam-se cada vez menos efetivos para atrair, motivar e despertar a curiosidade de aprendizado dos estudantes.

 

Uma alternativa para solucionar essa lacuna em crescimento é fortalecer a conexão entre o que os estudantes aprendem em sala de aula com o que eles vivenciam fora dela. Ou seja, trata-se de aproveitar a capacidade deles de pesquisar e fluência em plataformas digitais para conectar com os eventos de interesse que ocorrem ao seu redor, em seu bairro ou cidade.

Nesse cenário, o papel do professor adquire grande relevância, pois ele passa a atuar como facilitadores em comunidades de prática que tem o estudante como centro do processo. Assim eles podem atender dúvidas e anseios individuais, dosando o apoio para manter o foco no problema central (grande e complexo).

Em suma, a aprendizagem baseada em desafios aproveita o interesse dos estudantes por conferir um significado prático à educação. Ao associar teoria e prática, desenvolve-se competências transversais e técnicas, tais como trabalhos colaborativos e interdisciplinares que envolvem a tomada de decisões, processos de comunicação, ética e liderança (MALMQVIST, RADBERG e LUNDQVIST, 2015).

DESAFIOS

Apesar de estar baseada em outras abordagens mais maduras, como a aprendizagem baseada em projetos e aprendizagem baseado em problemas, o enfoque voltado para os desafios como conceito em si é relativamente novo. Ela possui poucas referências, pesquisas e estudos comparativos,e consequentemente poucas possibilidade de replicações.

Para se aprofundar e contribuir com as pesquisas, recomenda-se iniciar a jornada pelo “Challenge Based Learning” da Apple (consultar referências). Além de descrições mais detalhadas da abordagem, há também vídeos no Youtube que apresentam diferentes estratégias para a resolução de um problema real.

Outro fator desafiante é a necessidade de redesenhar os espaços de aprendizagem para incentivar essa prática e trabalhar de maneria interdisciplinar. É necessário também a utilização de métodos alternativos e adequados de avaliação e acompanhamento. Assim como a capacitação do professor para atuar como um design de atividades e mediador no processo de pesquisa e desenvolvimento de soluções.

ERRAR FAZ PARTE DO APRENDIZADO

Ao trabalhar com desafios é provável que diferentes soluções sejam propostas. E com isso existe também a possibilidade de que se alcance resultados não esperados ou pouco satisfatórios. Portanto é importante ressaltar que as falhas e implantações insatisfatórias são potenciais fontes de experiências e aprendizagem. Elas contribuem para o desenvolvimento de habilidades formativas e nas atividades metacognitivas. Pois, favorecem análises críticas e reflexões sobre a aprendizagem independentemente dos resultados alcançados.

Ficou curioso? Tem alguma dúvida? Quer dicas sobre referências bibliográficas? Tem mais informações sobre essa abordagem? Compartilhe conosco! “Conhecimento quando compartilhado, cresce!”

REFERÊNCIAS

APPLE. Challenge based learning: A classroom guide. 2011. Disponível em: http://www.apple.com/br/education/docs/CBL_Classroom_Guide_Jan_2011.pdf. Acesso em: 04/09/2017

GASKINS, W. B., JOHNSON, J., MALTBIE, C., KUKRETI, A. Changing the Learning Environment in the College of Engineering and Applied Science Using Challenge Based Learning. International Journal of Engineering Pedagogy (iJEP), 5(1), 33-41, 2015. Disponível em: http://journals.sfu.ca/onlinejour/index.php/i-jep/article/view/4138. Acesso em: 29/08/2017

LARMER, J. Project-Based Learning vs. Problem-Based Learning vs. X-BL. 2015. Disponível em: http://www.edutopia.org/blog/pblvs-pbl-vs-xbl-john-larmer. Acesso em: 24/08/2017.

MOORE, D. For interns, experience isn’t always the best teacher. The Chronicle of Higher Education. 2013. Disponível em: http://chronicle.com/article/For-Interns-ExperienceIsnt/143073/. Acesso em: 13/05/2017

MALMQVIST, J., RADBERG, K. K., LUNDQVIST, U. Comparative Analysis of Challenge-Based Learning Experiences. Proceedings
of the 11th International CDIO Conference, Chengdu University of Information Technology, Chengdu, Sichuan, P.R. China, 2015. Disponível em: http://rick.sellens.ca/CDIO2015/final/14/14_Paper.pdf. Acesso em: 25/05/2017.

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